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Insônia: quando o sono vira problema e como é o tratamento

O que é insônia, quando procurar ajuda e como é o tratamento com psiquiatra, com foco na TCC-I. Presencial em Santa Efigênia (BH) e online.

Por Dr. Felipe Guio · · 4 min

Por Dr. Felipe Guio, médico psiquiatra · CRM-MG 42.285 · RQE 21.475

Quase todo mundo já passou uma noite em claro antes de uma prova, depois de uma notícia difícil ou em uma fase de muita preocupação. Isso é esperado e costuma passar sozinho. A insônia é diferente: é quando a dificuldade para dormir se repete, dura semanas e começa a pesar no dia seguinte.

A insônia é uma das queixas de saúde mais comuns entre adultos. Ela não é frescura nem falta de disciplina. E tem tratamento.

O que é a insônia

Insônia é a dificuldade de começar a dormir, de manter o sono ou de acordar muito antes do horário desejado sem conseguir voltar a dormir, mesmo havendo tempo e condições para dormir. Para ser considerada um transtorno, ela costuma acontecer pelo menos três noites por semana, por três meses ou mais, e trazer prejuízo durante o dia: cansaço, irritação, dificuldade de concentração ou de rendimento.

Quando dura menos tempo, em geral ligada a um momento de estresse, chamamos de insônia de curto prazo. Muitas vezes ela melhora quando a situação se resolve. Às vezes, porém, os hábitos criados para compensar as noites ruins acabam mantendo o problema.

Quando é normal e quando procurar ajuda

Algumas noites mal dormidas em fases difíceis fazem parte da vida. Vale procurar avaliação se:

  • a dificuldade para dormir se repete várias noites por semana há mais de um mês;
  • o cansaço, a irritação ou a falta de concentração estão atrapalhando o trabalho, os estudos ou as relações;
  • você passou a depender de álcool ou de remédios sem orientação para conseguir dormir;
  • o sono ruim vem junto com tristeza, desânimo, ansiedade ou preocupação constante;
  • alguém percebeu que você ronca alto, para de respirar durante o sono ou mexe muito as pernas à noite;
  • você sente muito sono durante o dia, a ponto de cochilar em situações de risco, como ao dirigir.

Se você está em sofrimento intenso ou tem pensado em tirar a própria vida, procure ajuda agora: ligue 188 (CVV, 24 horas) ou 192 (SAMU). Em Belo Horizonte, procure também o CERSAM da sua região ou o Instituto Raul Soares (24h, (31) 3239-9937). Em outras cidades, procure o serviço de urgência psiquiátrica local ou o CAPS.

Por que a insônia acontece

Costuma ser uma combinação de fatores:

  • Predisposição: algumas pessoas têm um sono mais leve ou uma tendência maior a ficar em alerta.
  • Gatilhos: estresse, luto, mudanças de rotina, trabalho em turnos, dor, doenças ou alguns medicamentos.
  • O que mantém o problema: ficar muito tempo na cama tentando dormir, cochilos longos, horários irregulares, uso de telas, cafeína ou álcool à noite, e a própria preocupação com “não vou conseguir dormir”.

A insônia também aparece com frequência junto com depressão, ansiedade e outras condições de saúde. Por isso, olhar só para o sono às vezes não basta.

Como é a avaliação

Na consulta, conversamos sobre como são suas noites e seus dias: horários, rotina, uso de cafeína, álcool e medicamentos, preocupações, humor e outras condições de saúde. Pode ser útil preencher um diário do sono por uma ou duas semanas, anotando a hora de deitar, de acordar e como foi a noite.

Quando há suspeita de outro problema do sono, como apneia ou síndrome das pernas inquietas, posso pedir exames, como a polissonografia, ou indicar avaliação com outro especialista.

Como é o tratamento

O tratamento é individual e combinado com você.

  • Terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I): é o tratamento de primeira escolha para a insônia crônica, recomendado pelas principais diretrizes. Ela trabalha os hábitos e pensamentos que mantêm o problema, com técnicas como regularizar os horários, usar a cama só para dormir, ajustar o tempo passado na cama e lidar com a preocupação noturna. Os efeitos costumam se manter depois que o tratamento termina.
  • Higiene do sono: horários regulares, quarto escuro e silencioso, menos telas e cafeína no fim do dia, evitar álcool para dormir e praticar atividade física. Ajuda, mas sozinha costuma não ser suficiente na insônia crônica.
  • Medicação: pode ter papel em algumas situações, por tempo definido e com acompanhamento. Muitos remédios para dormir podem causar tolerância, dependência, sonolência no dia seguinte e risco de quedas. Por isso, o uso é cuidadoso, e não recomendo começar ou parar remédios por conta própria.
  • Tratar o que vem junto: quando há depressão, ansiedade ou outro problema de saúde, cuidar deles também faz parte de melhorar o sono.

Cada pessoa responde de um jeito, por isso não há como prometer prazos ou resultados. O acompanhamento serve para ajustar o plano ao longo do caminho.

Atendo adultos (a partir de 18 anos) presencialmente em Santa Efigênia, Belo Horizonte, e online para todo o Brasil.

Se você se identificou, agende uma consulta.

Referências

  1. Nardi AE, Silva AG, Quevedo J (orgs.). Tratado de Psiquiatria da Associação Brasileira de Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed; 2022. Capítulo: Transtornos do sono-vigília.
  2. Edinger JD et al. Behavioral and psychological treatments for chronic insomnia disorder in adults: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. J Clin Sleep Med. 2021;17(2):255-262. https://doi.org/10.5664/jcsm.8986
  3. Sateia MJ et al. Clinical practice guideline for the pharmacologic treatment of chronic insomnia in adults: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13(2):307-349. https://doi.org/10.5664/jcsm.6470
  4. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed; 2023.

Conteúdo informativo. Não substitui uma consulta.
Revisado em outubro de 2026

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