Dr. Felipe GuioPsiquiatra · BHAgendar consulta

Ansiedade: quando é normal, quando é transtorno e como tratar

Ansiedade generalizada, pânico, fobia social e fobias específicas em adultos: sinais, diferença da ansiedade comum e tratamento com psiquiatra em BH e online.

Por Dr. Felipe Guio · · 6 min

Por Dr. Felipe Guio, médico psiquiatra · CRM-MG 42.285 · RQE 21.475

Sentir ansiedade faz parte da vida. Ela nos deixa atentos antes de uma prova, de uma entrevista ou de uma decisão importante, e costuma passar quando a situação passa. Os transtornos de ansiedade são diferentes: o medo ou a preocupação ficam intensos demais, duram muito, aparecem sem motivo proporcional e começam a limitar a rotina.

Os transtornos de ansiedade estão entre as condições de saúde mental mais comuns em adultos. Não são frescura, fraqueza nem falta de controle. E têm tratamento.

Ansiedade normal ou transtorno?

A ansiedade do dia a dia é proporcional à situação, tem começo e fim e não impede a pessoa de fazer o que precisa. Já no transtorno de ansiedade:

  • a preocupação ou o medo são desproporcionais ao que está acontecendo;
  • os sintomas se repetem ou se mantêm por semanas ou meses;
  • a pessoa começa a evitar lugares, pessoas ou situações para não sentir ansiedade;
  • há sofrimento importante ou prejuízo no trabalho, nos estudos, nas relações ou no sono.

Um bom sinal de alerta é a evitação: quando a vida vai ficando menor para caber na ansiedade.

Sinais mais comuns

  • Preocupação difícil de controlar, pensamentos que “não desligam”
  • Inquietação, tensão muscular, sensação de estar sempre no limite
  • Irritabilidade e cansaço fácil
  • Dificuldade de concentração
  • Dificuldade para pegar no sono ou sono que não descansa
  • No corpo: coração acelerado, falta de ar, aperto no peito, tremores, suor, náusea, tontura

Alguns desses sintomas físicos também aparecem em outras condições, como alterações da tireoide, problemas cardíacos ou efeito de cafeína, medicamentos e outras substâncias. Por isso a avaliação médica é importante.

Os principais transtornos de ansiedade

As classificações atuais, como o DSM-5-TR e a CID-11, descrevem diferentes transtornos de ansiedade. Os mais frequentes em adultos são:

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

É a preocupação excessiva com vários assuntos ao mesmo tempo, como trabalho, saúde, dinheiro e família, na maior parte dos dias e por um período prolongado (o DSM-5-TR fala em pelo menos seis meses). A pessoa sabe que se preocupa demais, mas não consegue parar. Costuma vir com tensão, cansaço, irritabilidade e alterações do sono.

Transtorno de pânico

São crises de medo intenso que surgem de repente, muitas vezes “do nada”, e chegam ao pico em poucos minutos: coração disparado, falta de ar, tremores, sensação de desmaio ou de morte iminente. Depois das crises, a pessoa passa a ter medo de ter uma nova crise e pode mudar a rotina por causa disso. Uma crise isolada não é, por si só, transtorno de pânico.

Transtorno de ansiedade social (fobia social)

É o medo intenso de situações em que a pessoa pode ser observada ou avaliada, como falar em público, comer na frente de outros, participar de reuniões ou conhecer pessoas. O medo de passar vergonha ou de ser julgado leva a evitar essas situações ou a enfrentá-las com muito sofrimento. É diferente da timidez comum, pelo grau de sofrimento e de limitação.

Fobias específicas

É o medo intenso e persistente de algo determinado, como altura, avião, animais, sangue, agulhas ou lugares fechados. A pessoa costuma reconhecer que o medo é exagerado, mas mesmo assim evita a situação, às vezes deixando de fazer exames, viagens ou atividades importantes.

É comum ter mais de um desses quadros ao mesmo tempo, ou ansiedade junto com depressão, insônia ou uso de álcool para “aliviar”. Isso é avaliado na consulta.

Por que a ansiedade acontece

Não existe uma causa única. Costumam contribuir:

  • Fatores biológicos e familiares: predisposição e histórico de ansiedade na família.
  • Temperamento e história de vida: tendência a ficar mais em alerta, experiências difíceis, estresse prolongado.
  • Situações atuais: sobrecarga, conflitos, mudanças, problemas de saúde.
  • Substâncias: excesso de cafeína, álcool, outras drogas e alguns medicamentos podem causar ou piorar sintomas.

Como é a avaliação

Na consulta, conversamos com calma sobre o que você sente, desde quando, em que situações e como isso afeta sua rotina. Também pergunto sobre sono, saúde em geral, uso de medicamentos e substâncias e histórico familiar. Quando necessário, posso pedir exames para afastar outras causas dos sintomas físicos.

Questionários, como o da autoavaliação, ajudam a medir a intensidade dos sintomas, mas não substituem a consulta. O diagnóstico é feito na conversa clínica.

Como é o tratamento

O tratamento é individual e definido em conjunto, de acordo com o tipo de transtorno, a intensidade dos sintomas e suas preferências. Ele pode incluir:

  • Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens com mais evidências para os transtornos de ansiedade. Ela ajuda a entender o ciclo da ansiedade e, aos poucos, a enfrentar as situações evitadas de forma segura. Em muitos casos, é a base do tratamento.
  • Medicação, quando indicada: alguns antidepressivos estão entre as opções de primeira escolha nos transtornos de ansiedade, mesmo quando não há depressão. O efeito aparece ao longo de semanas, e a dose é ajustada no acompanhamento. Calmantes da classe dos benzodiazepínicos podem ter uso pontual e por pouco tempo, com cuidado, porque podem causar dependência.
  • Cuidados no dia a dia: sono regular, atividade física, redução de cafeína e álcool e técnicas de respiração e relaxamento ajudam, mas não substituem o tratamento quando há um transtorno.

O acompanhamento é regular, para avaliar a evolução e ajustar o que for preciso. Cada pessoa responde de um jeito, por isso não há como prometer prazos ou resultados. Mas a ansiedade tem tratamento, e muitas pessoas voltam a fazer o que tinham deixado de fazer.

Quando procurar ajuda

Vale buscar avaliação se:

  • a preocupação ou o medo estão presentes na maior parte dos dias;
  • você tem crises de ansiedade ou de pânico que se repetem;
  • está evitando lugares, pessoas ou situações por causa da ansiedade;
  • o sono, o trabalho, os estudos ou as relações estão sendo afetados;
  • está usando álcool, calmantes ou outras substâncias para conseguir lidar.

Uma primeira crise de pânico pode ser muito parecida com um problema cardíaco. Diante de dor no peito ou falta de ar intensa, procure um pronto-atendimento para avaliação.

Se você está em sofrimento intenso ou tem pensado em se machucar, procure ajuda agora: ligue 188 (CVV, 24 horas) ou 192 (SAMU). Em Belo Horizonte, procure também o CERSAM da sua região ou o Instituto Raul Soares (24h, (31) 3239-9937). Em outras cidades, procure o serviço de urgência psiquiátrica local ou o CAPS.

Atendo adultos (a partir de 18 anos) presencialmente em Santa Efigênia, Belo Horizonte, e por teleconsulta. Para saber mais, leia também Ansiedade: quando procurar ajuda.

Se você se identificou, agende uma consulta. Se preferir, comece pela autoavaliação.

Referências

  1. NARDI, A. E.; SILVA, A. G.; QUEVEDO, J. (org.). Tratado de psiquiatria da Associação Brasileira de Psiquiatria. 1. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022. ISBN 978-65-5882-033-8. Página da editora
  2. Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão. icd.who.int

Conteúdo informativo. Não substitui uma consulta.
Revisado em outubro de 2026

Autoavaliação

Responda no seu navegador. O resultado não é diagnóstico.

Ansiedade · GAD-7

Se você está pensando em tirar a própria vida, procure ajuda agora: ligue 188 (CVV, 24 horas) ou 192 (SAMU). Em Belo Horizonte, procure também o CERSAM da sua região ou o Instituto Raul Soares (24h, (31) 3239-9937). Em outras cidades, procure o serviço de urgência psiquiátrica local ou o CAPS.

Instrumentos de domínio público ou uso livre: WHO-5 (OMS), PHQ-9 e GAD-7 (Spitzer, Kroenke, Williams e cols.).

Agendar consulta